sábado, 4 de dezembro de 2010

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Uma tradição que se renova

Em plena era digital, os cartões de Natal sobrevivem. A coleção do MoMA, com exemplares de design, são prova disso

04 de dezembro de 2010 | 16h 00
Marcelo Lima / Antena e Alex Silva / FOTOS
   
Diz a tradição que o primeiro cartão de Natal de que se tem notícia - ao menos no formato que o conhecemos hoje -_ foi encomendado por Sir Henry Cole, escritor e editor britânico, a um artista de Londres, no ano de 1843. Não fazia referência religiosa à data nem contava com ilustrações de pinheiros ou paisagens invernais. Muito ao contrário. De forma um tanto ousada para a época - basta lembrar que a rainha Vitória subira ao trono havia apenas seis anos -, trazia a assinatura de John Callcott Horsley, pintor academicista, e retratava uma família na ceia de Natal, em meio a abraços, descontração, mas, talvez, taças de vinho demais.
Cole foi criticado de imediato por promover a "corrupção moral" dos pequenos - a imagem produzida por Callcott Horsley incluía uma criança entre os alegres comensais da celebração natalina. Pela sua cabeça, porém, dificilmente teria passado a ideia de patentear seu invento.
Como ele poderia imaginar que, tanto tempo depois, o gesto de enviar cartões continuasse ainda tão vivo e forte? A ponto de, em plena era da comunicação eletrônica, motivar 1,5 bilhão de remessas anuais apenas nos Estados Unidos, segundo a Hallmark, uma das gigantes do setor de cartões impressos.
"A coleção se renova a cada ano. São tantos os detalhes que é difícil não se sentir emocionado diante de algo que você queira conservar, como acontece com um objeto de design", afirma Marco Aurélio Saad Pulchério, da Marco 500, que distribui, no Brasil, os cartões de Natal editados pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa).
A chave para a longa vida dos cartões de Natal da coleção do MoMA é a atualidade. Dos pioneiros do século passado, reproduzindo flores, fadas e pássaros (uma lembrança de que a primavera estava se aproximando), aos superelaborados modelos do museu nova-iorquino, há o idêntico desejo de guardar, de manter em bom estado.
Produzidos há mais de 50 anos, quando artistas eram convidados a criar material personalizados alusivos ao Natal, os cartões inauguraram o departamento de produtos do museu, que, a partir de então, passou a comercializar, em loja própria, artigos de uso pessoal e papelaria e objetos assinados para a casa e o escritório.
Estrelas máximas das coleções, os modelos em 3D, produzidos desde a década de 70, já se tornaram objeto de desejo dos colecionadores. Com um requinte de montagem que remete ao origami, a tradicional arte japonesa de dobradura de papel, eles contam também com uma qualidade de impressão superior, incluindo áreas metalizadas.
Há desde os modelos mais simples, que mostram uma cena assim que são abertos, aos de versão interativa. Concebidos como autênticos objetos de decoração, os cartões são apresentados em papel picotado, devendo ser destacados e montados, para só então atingir sua configuração final.
Entre as temáticas exploradas, a figura ícone do Papai Noel ou ainda muita neve e pinheirinhos, clássicas referências ao inverno no Hemisfério Norte. Mas há também motivos mais seculares e menos religiosos, sobretudo relacionados à atmosfera de brilho e fascínio que envolve a data.
Cubismo. Bolas, árvores e velas aparecem, por exemplo, em formatos mais geométricos, de clara inspiração cubista, com pouca ou quase nenhuma vinculação imediata com a festa e sem espaço para demonstrações impressas de "Boas Festas" ou "Feliz Natal".
"As pessoas atribuem diferentes significados à data e comemoram o Natal das mais diversas formas. Natural, portanto, que desejem contar com maior número de opções na hora de compor uma mensagem para aqueles que gostam. E os designers já se ligaram nisso e puseram a imaginação para funcionar", argumenta Marco Aurélio.



EUA ENVIAM 1,5 BILHÃO DE CARTÕES DE NATAL TODOS OS ANOS

No Brasil, só os Correios venderam no ano passado cerca de 6 milhões de cartões e aerogramas próprios alusivos à data

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