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2011, um ano difícil
É neste mundo que começará o governo de Dilma Rousseff, em 1º de janeiro. A vitória da ex-ministra, uma figura pública pouco conhecida no início da campanha eleitoral, mostra como os brasileiros estão satisfeitos com o governo que a apoiou, após oito anos de Luiz Inácio Lula da Silva no poder. Mas os desafios de 2011, alguns deles descritos acima, que nem incluem a luta contra o crime organizado no Rio de Janeiro, podem fazer do primeiro ano um dos mais difíceis para a primeira mulher presidente do Brasil. Economistas e políticos não descartam uma nova crise financeira semelhante à ocorrida em 2007/2008. O sistema como um todo ainda não se recuperou, com os bancos irlandeses, por exemplo, ainda incapazes de operar normalmente. Sua fragilidade ameaça os bancos britânicos, suíços, franceses, americanos etc, etc. O euro, a segunda maior referência monetária no globo, pode perder ainda mais fôlego e até mesmo desaparecer. A instabilidade no Primeiro Mundo pressiona o mundo emergente, com suas altas taxas de juros e entrada indiscriminada de capital, o que ameaça o equilíbrio da sua economia e sua capacidade produtiva. O mundo seguirá perigoso, inclusive para o Brasil.
Dilma Rousseff anunciou pequenas mudanças na equipe econômica que ganhou do presidente Lula. Aceitou manter Guido Mantega na Fazenda, mas mudou o comando do Banco Central, tirando o banqueiro/político Henrique Meirelles e optando pelo técnico Alexandre Tombini. Ainda é cedo para avaliar o impacto da nova formação, mas os poucos dias de especulação sobre a equipe de Dilma foram suficientes para mostrar quão delicado é o momento econômico em qualquer parte do mundo. O mercado acompanhou de perto os rumores e chegou a apostar, a favor ou contra, no resultado que ainda viria. O mundo está volátil, sensível e precisa de um Brasil que cresça, compre, venda e tome as decisões corretas. Mundo afora, qualquer marola, mesmo uma marolinha, pode complicar até mesmo a vida de um país de robusto e constante crescimento. A diferença de outros momentos da história é que hoje o Brasil está no centro das decisões, ou pelo menos bem mais próximo dele. Não é simples alvo de remédios amargos ditados pelo Fundo Monetário Internacional para partes do mundo com a saúde debilitada. O Brasil hoje faz parte da receita e do tratamento, apesar de também poder ser contaminado e vir a adoecer. Em seu primeiro ano, Dilma governará em um mundo em situação delicada e repleto de riscos. Suas decisões podem ajudar a conter ou agravar um cenário de chuvas e trovoadas no horizonte.
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