terça-feira, 30 de novembro de 2010

Rio em guerra

Sinto-me muito confortável neste momento para sair em defesa do Rio de Janeiro e da política de segurança lá implantada, pois, no ano passado, quando todos se embriagavam de enlevo ufanista, diante da escolha da cidade para sede das Olimpíadas, dei uma de chato, de advogado do diabo, chamando a atenção para os problemas da cidade. E fui bastante atacado por isso.


Em adição ao que registrei em meu post anterior, acho que vale refletir um pouco sobre como parte da imprensa, do mundo e do próprio Brasil, tem tratado do drama que lá se desenrola. Alguém aí se lembra de quantos automóveis foram incendiados nos tumultos que eclodiram nos subúrbios de Paris em dezembro de 2004 e que se desdobraram pelo interior da França nos meses seguintes? E quantos foram os veículos e estabelecimentos comerciais danificados no levante do inverno europeu de 2008/9 na Grécia? Alguém lembra? Ou quantas foram as baixas havidas no Levante do Dia das Mães em São Paulo? Ou nos atentados terroristas havidos em Madrid, Londres e Nova Iorque? Pois bem, nada autoriza dizer que a situação no Rio não é grave, mas vamos devagar com o andor, vamos contextualizar os fatos, ok?


A propósito, a população do Rio de Janeiro está dando ao mundo uma demonstração de maturidade, diante de situação tão absolutamente angustiosa. Todos estão procurando levar as suas vidas normalmente. As crianças não deixaram de ir às escolas, as pessoas seguem tentando chegar ao trabalho… Alguém aí poderia até dizer que faz parte da esquizofrenia alienante da cidade, mas, sinceramente, acho difícil acreditar nisso quando o conflito se reveste de tamanhas proporções e se revela tão disseminado. Imaginem se algo assim acontecesse nos Estados Unidos, país por excelência da histeria coletiva? Seria um pânico generalizado! Não, os cariocas estão se comportando com a mesma altivez revelada pelos londrinos no último ataque terrorista que tisnou de rubro aquela adorável cidade.


E também acho positiva a aliança entre as polícias do Rio de Janeiro e os fuzileiros navais. É uma tropa de elite, bem treinada e ágil. É notícia alvissareira a colaboração deles em sintonia com as forças de segurança pública do Rio de Janeiro. O que ninguém diz é que uma aliança assim somente poderia ser construída por um comandante de forças públicas respeitado por sua coragem, descortino e equilíbrio, como o Sr. Beltrame. Talvez, uma colaboração mais efetiva nesse sentido não tenha se imantado antes justamente pela falta desse comando confiável. Ou alguém aí acha que os militares iriam se meter numa furada, partilhando comando com uma polícia inepta e totalmente corrupta?

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